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Jose Carlos Francez – Profissional da Beleza de Direito

Em meus quase 20 anos no Universo da Beleza, já passei por algumas situações que chegaram até a me desmotivar em dar continuidade ao projeto Guia de Salões. Falsas promessas, empresários e profissionais com caráter duvidosos, etc. Mas com certeza os pontos positivos superam essas decepções. A prova disso é o nosso entrevistado de hoje; um profissional de competência e caráter acima da média, filho e irmão de Advogados, optou por transitar na contramão e ingressou no mercado da beleza. Em pouco tempo, graças aos seus esforços, honestidade e humildade ele atingiu um patamar respeitadíssimo, até pelos grandes profissionais do setor. E suas apresentações nos palcos dos grandes Eventos e Feiras do setor, eram acontecimentos rotineiros. Exigente com seus comandados, ganhador de vários prêmios da classe, e também principal crítico dos próprios trabalhos. Porém, mesmo diante de tanto sucesso, surpreendentemente, nosso convidado retirou-se do mercado da beleza para tocar um novo projeto. E hoje o hairstylist e educador José Carlos Francez, aceitou nosso convite e vai contar tudo e um pouco mais em nossa coluna “Minha História”

Gstv – Meu querido amigo, muita alegria e poder contar um pouco da tua história profissional. Quero agradecer a pronta aceitação de nosso convite e pra começar fala pra gente; Quem é Jose Carlos Francez?

JC Francez – Amigo, é um imenso prazer e uma honra enorme poder contar um pouco da minha trajetória profissional. Sempre fui motivado pela vontade de ajudar, de poder colaborar com todos a minha volta, fossem eles cabeleireiros, auxiliares, manicures enfim, a paixão por ajudar sempre me motivou. Sempre me defini como em realizador, no sentido de que por toda a vida busquei tomar a iniciativa frente a todos os problemas. Aprendi desde cedo que ficar sentado esperando as coisas acontecerem definitivamente não resolve nossos problemas, ao contrário, atrasa ainda mais a solução deles. Desde então acordo muito cedo, sou ligado no 220V, estou sempre pensando em diversos projetos ao mesmo tempo e Deus sempre me deu condições de realizar grande parte deles. Este sou eu, amigo!

Gstv – Como foi a tua infância e quais eram seus sonhos na época?

JC Francez – Costumo contar às minhas filhas que tive uma infância diferente da maioria das crianças da minha época. Meus pais são pessoas simples, que se fizeram sozinhos. Passaram dificuldades como a maioria das pessoas de classe média nas décadas de 60/70. Eu não me lembro do meu pai ter feito outra coisa na vida a não ser trabalhar. Sempre trabalhou e estudou muito, sempre com o apoio incondicional da minha mãe e todo este esforço fez com que nada nos faltasse, graças a Deus! Meus irmãos e eu tivemos o conforto mínimo que uma criança de nossa época poderia ter. Passamos por privações claro, mas sempre passamos por tudo isso juntos. Somos até hoje uma família muito unida e nos ajudamos em tudo que é possível.
Nunca fui uma criança com sonhos de ser bombeiro, jogador de futebol ou coisa parecida. Lembro que ainda garoto acabei me apaixonando por automobilismo, lá pelos anos 80 e já com quinze anos quase enlouqueci meus pais quando dei a notícia em casa que compraria um Kart e começaria a correr. Imagina a confusão que causei nos almoços de domingo? O kart? Bem, não comprei com quinze anos, demorou um pouquinho mais, mas tão logo minha condição financeira permitiu, disputei por nove anos o campeonato paulista do Interior de Fórmula Kart. Meus pais nunca foram assistir a nenhuma destas minhas corridas, até que um amigo patrocinador convidou meu pai a levar a família toda a assistir. Logo depois da largada, um grave acidente envolvendo quase dez karts, com direito a capotagens cinematográficas, fizeram minha mãe se assustar e a sair da pista. Eu passei ileso pelo acidente e cheguei em segundo!

Gstv – Seu pai por coincidência foi meu advogado, ocasião que também tive a oportunidade de conhecer o teu irmão que também atua na área do Direito. Por que você optou pela área da Beleza? Você teve outras ocupações antes?

JC Francez – É verdade, meu pai é um apaixonado pelo Direito e meu irmão herdou dele esta paixão. Os dois são profissionais exemplares. Meu pai, mesmo do alto de seus 82 anos ainda atua com energia nos dois escritórios da família. Eu comecei minha vida profissional bem cedo, com 13 anos fui arquivista em uma empresa de transportes, profissão que acredito, nem existe mais! Mais tarde, já na faculdade de Desenho Industrial, trabalhei em uma fábrica de cadernos especiais ligada a Grife Fiorucci, de propriedade no Brasil da família Kalil. Entre idas e vindas na minha vida profissional, acabei contratado pela multinacional americana Xerox The Document Company onde fiquei um pouco mais de dois anos até a empresa ser vendida no mundo todo. Nesta época eu já era casado com uma talentosa cabeleireira, que se chamava Zau de Lima, de quem me divorciei depois de treze anos e que estava deixando de ser empregada em um salão de beleza para montar seu próprio empreendimento. Como eu estava “férias” aproveitei para ajudá-la neste processo, comecei a frequentar ao lado dela os cursos da Ikezaki, feiras e congressos e no primeiro natal que trabalhamos no nosso próprio salão eu já estava fazendo hidratações, lavando cabelos para ela poder cortar, secando para processos de brushing e daí, o processo de aprendizado e de paixão não parou mais! Desde 1993 quando ela abriu o salão, até 2016 quando me afastei da profissão, não fiz outra coisa senão trabalhar, pesquisar, estudar, testar, desenvolver, aplicar, ensinar e amar a profissão de cabeleireiro.

Gstv – Quais foram as maiores dificuldades que você enfrentou no início de sua trajetória? Qual foi a posição da família e peso da opinião deles ao saberem da tua escolha?

JC Francez – Imagine só a situação: me casei com uma cabeleireira, trabalhava em uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, na semana seguinte estava lavando cabelos dentro de um salão de beleza. É lógico pensar que nenhum pai ou mãe entenderia isso com naturalidade, concorda? Depois começam as piadinhas dos amigos, o que também fazia parte de todo um processo, não é mesmo?
Eu tinha que trabalhar e ajudar no processo de desenvolvimento do nosso salão e a opinião de toda a minha família não mudaria minha decisão.
Acho que a maior dificuldade que eu tive foi começar com uma idade em que a maioria dos cabeleireiros já estava estabelecida. Eu já tinha 28 anos, ela havia começado na profissão com 13. Imagine a experiência que ela possuía nesta época! Tive nela minha primeira professora, com muita paciência, me ensinou tudo que sabia, com dedicação e muito entusiasmo. Falávamos sobre cabelos quase 24 horas por dia. Café da manhã, almoço e jantar eram acompanhados de longas discussões teóricas sobre os mais diversos assuntos relacionados ao dia a dia do salão de beleza, desde atendimento das clientes, cortes e nosso assunto preferido, as colorações.
Eu me sentia na obrigação de correr contra o tempo até poder conhecer o suficiente para atender algumas clientes com autoridade suficiente para não decepcionar, claro! Eu aproveitava o tempo livre que naquela época ainda era muito, para ficar o mais perto dela possível enquanto ela atendia e assim poder observar e aprender. Para não a atrapalhar eu pegava uma vassoura e varria perto dela, sempre de “orelha em pé” para ouvir tudo que ela explicava à cliente, e assim fui aprendendo todos os meandros sobre tratamentos, colorações, mechas e sobre atendimento ao cliente.
O que vou te contar agora eu nunca contei para ninguém, nem em minhas palestras nem em oportunidade alguma, mas agora eu já posso contar! Certa vez, exatamente neste período em que me iniciava nas pesquisas a respeito de colorações e colorimetria, uma de nossas clientes que era gerente de uma grande rede de perfumarias perguntou para a Zau se ela poderia ministrar cursos de treinamento para os funcionários de treze lojas da rede, a respeito do assunto. Ela, alegando não ter perfil para subir ao palco ou qualquer coisa parecida, não aceitou a oferta. Eu estava ouvindo a conversa e me ofereci para a tarefa, com muita naturalidade. E se fosse em dias e horários não conflitantes com o horário do salão, poderia contar comigo.
Depois que falei isso a Zau me olhou com cara de espanto. Claro que ela não me considerava apto para falar para balconistas e vendedoras de colorações de uma loja daquele porte mas eu pensei: “Eu aprendo”. Em duas semanas eu estava na primeira das treze lojas da rede, para o primeiro dia de curso. As palestras não só foram um sucesso como me tornei uma espécie de consultor de três das lojas e ministrei palestras como cabeleireiro uma vez por mês a respeito de colorações e cortes. Este foi o início de toda a minha jornada como educador. Deste ponto em diante nunca mais parei.
É claro que não foi só chegar lá e começar a falar. Foram muitas pesquisas, conversas com outros especialistas, professores consagrados e de bom coração, leitura de tudo que caia na minha mão e testes, mais e mais testes, além claro de algumas ligações na hora do almoço para a Zau me esclarecer algumas dúvidas que sempre surgiam nos primeiros dias, naturalmente.

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Gstv – Hoje em dia o postulante à profissão tem muitos recursos para aprender e até para comprar produtos. Como era na época em que você começou?

JC Francez – É uma verdade. Vou te explicar o porquê. Os cabeleireiros pioneiros, aqueles que vieram muito antes de nós, criaram uma cultura tão profunda, tão arraigada de passar conhecimentos para cabeleireiros e assistentes em que as pesquisas quase não eram necessárias. Claro que com o tempo e com a rapidez com que as coisas acontecem no mundo, em que informação é produzida em quantidade tão absurda é praticamente impossível qualquer profissional de qualquer área não se manter em atualização constante.
Hoje com a internet na palma da mão, qualquer um consegue acessar uma informação em segundos, seja o profissional, seja o cliente. Assim a exigência de se manter atualizado se tornou crucial para a sobrevivência comercial. Quando comecei a pesquisar a respeito de tecnologias de cores, não havia a Internet como conhecemos hoje, ela não era acessível. O que tínhamos eram enciclopédias, folhetos antigos, apostilas trazidas do exterior e eu utilizei de muitas entrevistas com professores fundadores como o Professor Gilberto Costa e sua mãe, professora Olivia de Abreu Costa, os dois da Escola de Cabeleireiros Vênus na cidade de São Paulo. É incrível como estes dois abriram minha mente e direcionaram minhas pesquisas sobre o assunto. A respeito de produtos, o cenário era parecido, tínhamos pouco acesso a bons produtos e aprendíamos usando o que tínhamos a mão. Só tivemos acesso à produtos importados quando chegaram ao Brasil importadores com a coragem de mudar este conceito, como Keune, Pro-line entre outros.
Foi exatamente pela escassez de produtos de qualidade para tratamentos que, já pelos anos 2000 comecei a buscar parcerias com empresas brasileiras que confiaram em minhas pesquisas para desenvolver novos produtos e novas técnicas para uso profissional, com qualidade similar ou até superior aos importados. Estes produtos e algumas destas técnicas estão no mercado até hoje como Kinse e Ouribel, com enorme sucesso, o que me deixar orgulhoso Outra importante fonte de pesquisa foi a Federação das Escolas de Cabeleireiros do Estado de São Paulo – Brasil (FEDESCAB), através do seu presidente Sr. Jorge Pompeo Gassi, que nunca economizou tempo e dedicação para ajudar em minhas pesquisas. Houve situações que tive que utilizar os espaços da escola para aplicar diversos testes de produtos em larga escala para obter dados em grande quantidade, isso para dar uma pequena ideia do nível de testes que realizávamos. Fui diretor da FEDESCAB por mais de oito anos e tenho um enorme orgulho desta época.

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Gstv – Ainda falando das facilidades atuais, muitos dos meus entrevistados, os profissionais mais antigos, sempre relataram as dificuldades de buscar informações no início de carreira, numa época em que a internet não existia, o profissional tinha que buscar informações com outros profissionais e muitas vezes fora do País. Você também teve que se qualificar em outros países? Quais? E o que isso mudou em sua vida profissional?

JC Francez – Isso é uma verdade. Havia uma certa troca de informações sim, grupos de encontros que aconteciam apenas para troca de experiências. Sei que até alguns anos atrás, alguns cabeleireiros com boas intenções ainda realizavam este tipo de reuniões com enorme sucesso, gratuitas e onde o interesse era apenas divulgar técnica e conhecimento. Eu tive um grupo assim em meu salão em Itupeva, chegamos a ter a participação de oito cabeleireiros de várias cidades da região, estranhamente apenas um da minha cidade. Com o tempo este grupo também acabou.
Indicado pela Industria de colorações Keune fui convidado para cursar a brilhante academia Americana Pivot Point de arquitetura de cortes femininos. Fiz parte da terceira turma formada no Brasil. Quando fui diretor artístico da indústria de colorações Argentina Silkey para São Paulo, fui levado a um congresso em Buenos Aires, durante a BAIRES 2007 – um dos maiores eventos sul-americanos de beleza – onde tive contato com os maiores coloristas da América Latina e com alguns dos maiores cabeleireiros do mundo como Raphael Perrier com quem aprendi muito. Lá também cursei a academia Italiana TECHME de cortes femininos modernos. Estas duas experiências sem a menor dúvida mudaram minha maneira de ver a profissão, tamanha a seriedade com que as duas empresas tratam o nosso trabalho. É impressionante como a Pivot Point é capaz de mudar a mentalidade de um cabeleireiro não apenas no que diz respeito a técnica, mas na forma de entender seu trabalho, sua abordagem científica e seus métodos de ensino. Com certeza foi um divisor de águas em minha carreira e só tenho a agradecer.

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Gstv – A Industria da Beleza atualmente, entrega aos profissionais uma vasta gama de produtos, que são facilitadores. Como era quando você iniciou? Você teve que aprender alguma “receitinha” para potencializar os seus serviços no salão de beleza? Quais?

JC Francez – Acho que naquela altura da história da nossa profissão, tudo ainda era muito novo, incipiente, não era? Não havia um conhecimento científico a respeito de como o cabelo absorvia nutrientes de uma forma tão completa como existe hoje e tudo era válido. Claro que aprendíamos a usar produtos misturando ampolas, fazer hidratação utilizando os famosos “cocktails de frutas” que eram feitos de frutas mesmo enfim, fazíamos mágica com o que tínhamos. Com o tempo, fomos absorvendo tecnologias de outras profissões, a ciência foi se tornando mais acessível. Empresas fabricantes sérias foram se comprometendo a divulgar fatos científicos e não ‘mentirinhas” e com isso, quem evoluiu foram nossos cabeleireiros que passaram não apenas a ter acesso a produtos melhores, mas a ter formação e informação para decidir entre um produto realmente eficiente de uma enganação. Isso sim foi um progresso e tenho muito orgulho de ter contribuído neste processo.

Gstv – Como você se diverte em suas horas de folga? Você tem algum hobby que pode nos contar?

JC Francez – Minha mulher, com quem sou casado há 13 anos e me conhece bastante, costuma dizer que meu passatempo é estudar ou trabalhar – seja assistindo aulas sobre tecnologia ou sobre Internet ou lendo no meu Kindle sobre os mesmos assuntos –Apesar de ter pouco tempo livre, quando isso acontece, aproveito praticando automodelismo de fenda, o famoso Autorama de competição que é o esporte que mais exige velocidade de reflexos em todo o mundo. Tento manter minha mente organizada com as competições e com as corridas porque mantem a adrenalina em um bom nível e aliviam o stress do dia a dia.
Quem sabe, depois que as vacinas acontecerem, o hobby não volte com força não é mesmo?

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Gstv – Você entre tantos adjetivos é, hairstylist, educador, cosmetólogo, empresário, etc. Não são muitas funções para um único profissional? É possível ter excelência em todas essas atividades?

JC Francez – É uma ótima pergunta. Durante toda a minha vida tentei atingir a perfeição em tudo e consegui ser diabético porque percebi que não controlo nem meu pâncreas. Fui aprendendo que perfeição é algo que deve ser perseguida constantemente. Aceitar um resultado mediano vai te fazer apresentar resultados cada vez piores e isso te fará infeliz em algum momento. Com este aprendizado fui tentando ser cada vez melhor e isso sim é possível se você se dedicar a um aprimoramento constante, aprender com seus erros, evoluir sempre e treinar a si e a sua equipe.
Sempre desejei ser um profissional reconhecido como um bom hairstylist, assim como fazer a diferença na vida das pessoas como educador porque as vezes a oportunidade de aprender uma nova profissão é a única chance que ela possui para sustentar sua família ou se livrar de um destino ruim, não é? Como técnico, me esforcei para fazer o meu melhor e deixar algo bom para o mundo dos cosméticos como novos conceitos, conceitos mais simples, mais diretos, mais acessíveis e principalmente sem mentiras!
Como empresário sempre fui e sou até hoje a favor da geração de parcerias, de empregos, de oportunidades. Voltamos ao ponto anterior: as vezes a única coisa que o ser humano necessita é de uma oportunidade, seja de trabalho, seja de profissionalização, de ser levado a sério. A função social do empreendedorismo neste país deveria ser levada mais a sério.

Gstv – Você é um profissional respeitado e muito querido. Acredito que já atendeu algumas celebridades. Qual a diferença entre atender um cliente comum e uma celebridade? Qual o valor do ser humano no teu ponto de vista?

JC Francez – Aqui vou contar a segunda história que nunca contei para ninguém! Quando me separei da minha primeira mulher, a Zau que era cabeleireira, além da separação dela e das minhas duas filhas, tive que abdicar também, do salão de beleza que tínhamos. Depois de treze anos de trabalho, problemas pessoais nos afastaram e claro, teria que procurar outro lugar para trabalhar.
Em um determinado momento, estava morando no bairro da Penha em São Paulo, com pouco ou quase nenhum dinheiro, sem gasolina para procurar emprego, fiz algumas cópias do meu currículo e então saí a pé pelo bairro com a intenção de entregá-los e quem sabe, conseguir uma colocação como cabeleireiro, auxiliar de cabeleireiros. Precisava de trabalho e com urgência.
Fiz isso por três longos dias todas as manhãs porque sei que é o período de menor movimento nos salões. No terceiro dia, uma quinta feira, as cópias de meus currículos haviam terminado e nenhuma proposta, nenhum telefonema, nada havia acontecido. Eu havia andado quilômetros sem sucesso.
Percebi que estava perto do salão de dois grandes amigos, o salão era o MG Marinho. O Gaby cabeleireiro era um parceiro de muito tempo, havíamos trabalhado juntos em alguns eventos, até viajado juntos quando eu era técnico da Céllent Cosméticos. Pensei que um café com ele me daria mais entusiasmo para continuar.
Chegando na porta do salão dele e do filho, encontrei com o Mario Augusto, o Marinho, filho do Gaby. Ele me perguntou o que eu estava fazendo por lá, contei sobre minha separação e que tinha entregado meus últimos currículos e que estava lá para tomar um café com ele e com seu pai.

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Em dois minutos ele me disse que eu não tinha que ter procurado emprego antes de falar com ele. Eu já estava empregado. Me levou para dentro do salão e me apresentou para a equipe já como novo colaborador. Começava ali uma jornada de mais de dois anos de muito aprendizado e parceria.
Em dois anos, aprendi sobre atendimento a clientes com o Marinho, mais do que aprendi a vida profissional inteira! Para ele não há diferença entre quem é quem. Todos são clientes e todos são especiais. Trabalhei ao lado dele e do seu pai, tempo suficiente para entender que este é o segredo.
Para ele e para toda a equipe, atendíamos pessoas, pessoas com vontades, dores e sentimentos. Não fazíamos cabelos, atendíamos pessoas. Acho que isso é o que faz a diferença. Impossível dissociar cabelo da pessoa humana! E nada dá mais prazer do que quando se atinge o objetivo de satisfazer a vontade real de um cliente.
Desde aquele primeiro contato com ele e a sua proposta carinhosa que mudou a minha vida e o meu moral, percebi que eu podia ser diferente, podia fazer parte de algo grandioso, fazer a diferença mesmo sendo empregado e empregado de uma das pessoas mais bondosas que já conheci. Um empregador que faz questão de fazer o pagamento dos colaboradores pessoal e individualmente e sabe para quê? Para abençoar o dinheiro que está entregando. Percebe o valor do ser humano expressado neste gesto?

Gstv – No auge do teu sucesso profissional, você optou por sair do cenário, algo que surpreendeu até alguns de seus concorrentes. Houve algum motivo especial? Você cansou da profissão? O que levou um profissional de extremo talento desistir da profissão?

JC Francez – Olha amigo, muito obrigado pelo carinho do elogio do “auge do sucesso”, não sei se este é o adjetivo que eu aplicaria. Acredito que estava no auge da minha forma técnica! Estava dedicado como nunca, focado como sempre, mas desde 2012, ou seja, quatro anos antes de me desligar definitivamente do ramo da beleza, eu já havia inaugurado uma startup para o desenvolvimento de e-commerces para micro e pequenas empresas o que me forçava a jornadas duplas de trabalho, finais de semanas inteiros destinados a implantação de sistemas e todos os assuntos ligados a tecnologia.
Junte-se a isso, as dificuldades naturais de uma franquia recém-lançada de nossa marca para salões de beleza BeautySense, escassez de mão de obra especializada, falta de tempo hábil para a formação e a dificuldade maior ainda de se encontrar empreendedores firmes no propósito em minha região. Isso me fez optar em me afastar do ramo da beleza e me concentrar no meu empreendimento de tecnologia.
Sempre fui apaixonado por máquinas, sistemas e softwares. Acho que desde o lançamento dos primeiros computadores pessoais, sempre tive algum equipamento perto de mim. A curiosidade de como estas coisas funcionam sempre me fascinaram e poder transformar tudo isso em trabalho veio através do parceiro-amigo-socio Celso D´atillio, já no andar de cima, que acreditou em mim e confiou tudo que ele sabia ao me ensinar a profissão.Sei que foi mesmo uma surpresa para muita gente. Até hoje me param na rua para pedir o novo endereço do meu salão, acredita? Quando explico que não trabalho mais com beleza, ficam boquiabertos, surpresos mesmo! Mas Deus sabe de todas as coisas, não é mesmo?

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Gstv – Qual o novo empreendimento do JC Francez? Da para comparar e detalhar os prós e os contras e relação a profissão anterior?

JC Francez – A história aconteceu da seguinte maneira: Conheci meu amigo Celso D´attilio quando trabalhava no Salão MG Marinho. Aprendi muito com ele a respeito da construção de sites porque estava envolvido no processo de construção do site do salão. Quando me mudei para Itupeva e resolvi abrir o meu próprio salão, percebi que aqui nenhum salão possuía o seu site e resolvi inaugurar o meu já com um. E mãos à obra, começamos o processo juntos e inauguramos os dois – site e salão as 8 horas e 8 minutos do dia 6 de Novembro (6+11=8). Na numerologia, o número 8 representa o infinito.
Algum tempo depois, meu amigo foi para o andar de cima, mas a paixão pela tecnologia já tinha me contagiado. Demos início a novos processos para um novo site, depois surgiram encomendas para a construção de sites para outras empresas, depois outras e percebi a enorme carência que o mercado sofria de bons web-designers.
Nesta época, já conciliando meu trabalho no salão com as novas possibilidades, comecei a estudar web design em uma escola de Jundiai e passei a perceber a minha enorme dificuldade pela carência de mais conhecimento e o passo seguinte foi ingressar em um curso superior. Me formei em Sistemas para a Internet e estou terminando minha Pós-Graduação em Experiências do Usuário que é uma especialização importante para a minha carreira.
Hoje nossa startup se dedica a projetar, desenvolver e hospedar websites especialmente para micro e pequenas empresas que não estão acostumadas a contarem com os recursos tecnológicos utilizados pelas grandes corporações. Nós contamos com estes recursos e os colocamos a disposição destas empresas com um custo acessível, otimizando suas vendas e maximizando seus lucros.
Curiosamente estamos lançando um projeto com propostas voltadas especialmente a Salões de beleza que precisam estar na Internet para atingir seu público.
Gosto sempre de salientar ao colegas de tecnologia, o quanto a experiência adquirida com colorimetria tem sido útil no processo criativo. Cores são fundamentais para a construção de websites, logos e marcas para a Internet e suas mídias.
Entre as duas profissões, claro que sempre haverá prós e contras. Acho que como cabeleireiro tínhamos horários difíceis de cumprir rigidamente, compromissos com a família sempre aconteciam sem a minha presença ou eu sempre chegava atrasado, todo cabeleireiro passa por isso. Fim de semana de um profissional de beleza resume-se ao Domingo. Já para um web-designer, ou um responsável web como é meu caso, nossos horários são mais livres, mas os problemas podem acontecer em qualquer horário e quando acontecem, não tem hora para acabar. Já passei noites em claro fazendo migrações de servidores, faz parte!
Outro paralelo importante, como cabeleireiro eu tinha um enorme contato com pessoas. Gostava deste contato, gente que sempre me tratou tão bem, mesmo depois que eu me mudei para Itupeva, muitas de minhas clientes me acompanharam e continuaram a fazer seus cabelos aqui comigo até o fechamento do Salão. Hoje meu contato com pessoas é muito menor, não é diário.
Como cabeleireiro eu tinha o feedback praticamente imediato do resultado do meu trabalho, quando a cliente adorava o resultado, como ela reagia ao processo de coloração, de mechas ou de corte. Era muito bom poder colaborar com a autoestima de nossas clientes. Hoje a nossa satisfação vem da realização do projeto de vida do cliente e de seu negócio. Do aumento de visitantes de seu site, do aumento de suas vendas e de suas receitas. Ver o seu projeto se realizando também é motivador e faz bem para todos nós. Sempre há beleza em tudo, não é mesmo?

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Gstv – Infelizmente o Mundo atravessa uma pandemia cruel que tem tirado vidas e influenciando diretamente em nossas decisões, sejam de âmbito profissional, econômico ou social. Governantes despreparados tem comprometido com suas decisões, classes inteiras de profissionais, entre eles o Setor da Beleza. O que você tem feito para superar esses momentos e quais conselhos você deixa para seus colegas de profissão?

JC Francez – Eu tenho acompanhado de perto o momento crítico que meus amigos do setor da beleza enfrentaram e ainda estão enfrentando. É preciso ter muita calma para não tomar decisões ainda mais equivocadas e continuar firmes principalmente pensando nas próximas eleições municipais, que são verdadeiramente as mais importantes.
Para o setor da Internet como um todo, a pandemia foi um impulsionador para o crescimento de muitas empresas de tecnologia. Nunca se falou tanto em comércio virtual como agora, nunca se vendeu tanto pelas redes sociais e por e-commerce como se vende atualmente. Para quem nunca acreditou no poder das vendas virtuais foi o momento de reavaliar suas convicções e aí sim, começar a vender pela Internet.
Meu conselho para qualquer classe profissional é sempre este: não pare de estudar. Busque uma formação superior, ela é importante demais. Mesmo para quem quer ser cabeleireiro pelo resto da vida como eu sempre pensei que seria, uma formação superior muda a cabeça de qualquer pessoa. Quer fazer uma formação superior como Cosmetologia ou Visagismo? Faça, mas considere fazer também uma formação de administração de empresas que é uma formação ampla para todo tipo de negócio. É uma formação sólida que dará uma vantagem administrativa enorme frente a sua concorrência.
O profissional precisa entender que não basta saber cortar e escovar um cabelo, colorir ou fazer mechas muito bem. Precisa entender de administração de negócios, precisa entender de Inteligência Emocional, precisa entender de recursos Humanos, de investimentos, de tecnologias, de mercados internacionais. Precisa entender de tudo que envolve seu negócio, tenha ele o tamanho que tiver, esteja ele localizado em que região do planeta estiver.

Gstv – Com certeza entre tantas perguntas eu deixei de fazer alguma que você gostaria muito de falar. Qual seria? Responde pra gente.

JC Francez – Amigo Arnaldo, é fato que ninguém consegue agradar a todos e eu também não fui e nunca serei uma unanimidade. Sempre me espelhei nos melhores profissionais e principalmente nas melhores pessoas, naquelas que me inspiravam a ser alguém melhor. Ouvia sempre de um dos meus patrões, o Marinho de quem já falei aqui, que todos nós deveríamos primeiro aprender a doar para só depois esperar algo em retribuição. Acho que a grande dificuldade das pessoas no mundo moderno se deve a enorme dificuldade de se relacionar sem interesses, ao hábito de julgar o próximo, e de esperar recompensas sem investimentos. Houve momentos em que fui muito criticado por outros cabeleireiros que não tinham a menor ideia de como eu trabalhava ou como trabalhava a minha equipe. Nestes momentos, sempre escolhíamos nos concentrar nos pontos positivos de todas as críticas e transformá-las em melhorias em nossos métodos. Muito melhor dar valor àqueles que sempre estiveram ao nosso lado, e que sempre foram muitos, do que dar ouvidos àqueles que só se sentem bem criticando quem fez quando eles nem perto do problema estavam. Todos os mercados, todos os ramos sofrem com este tipo de concorrência. É preciso aprender a conviver com ela. É muito importante no fim do dia, deitar a cabeça no travesseiro e se sentir realizado não é mesmo? Há alguma outra maneira de se sentir realizado sem se sentir feliz? Nada destrói mais a felicidade de um profissional do que trabalhar com o que não o satisfaz, não lhe dá prazer. Uma vez me perguntaram: “O que é sucesso para você?” Acho que essa deveria ser a reflexão que todo mundo deveria fazer. Ganhar muito dinheiro? Ter o carro dos sonhos? Viajar o mundo? Estamos aprendendo nesta época terrível de pandemia amigo, que sucesso é ter saúde, ter a família completa e cheia de vida, não é mesmo? Enfim, respondi que sucesso para mim é terminar o dia com a sensação de dever cumprido, de chegar na idade em que me encontro com a sensação de que preciso de pouco para ser feliz e saber que só tenho a agradecer, pela profissão que tive até há cinco anos, pela profissão desafiadora que tenho agora. Isso tudo é sucesso!

Gstv – Amigo Jose Carlos Francez, foi um prazer conhecer um pouquinho da tua trajetória profissional, é incrível poder compartilhar de tanto conhecimento. Para finalizar, qual dica você pode passar para aquela pessoa que está iniciando na profissão e também para aquele profissional que mesmo há tempos na profissão pensa em desistir, devido as instabilidades do setor?

JC Francez – Para mim foi uma honra enorme, amigo. Sempre gostei de ajudar e isso sempre foi meu principal objetivo e sempre será, seja onde eu estiver. Conte sempre comigo. Para aquele profissional em início de carreira, minha dica é: sempre há um espaço, sempre há algo a ser feito que poderá destacar seu trabalho da concorrência. Procure o seu espaço, sempre valorizando e respeitando todos aqueles que vieram antes de você e que ajudaram a construir a sua profissão. Não é porque você é mais novo que deve desprezar os mais antigos, concorda? É muito desagradável para dizer o mínimo, um jovem e promissor profissional, sobre um palco, desmerecendo toda a carreira, toda a história de um profissional anterior a ele.
Agora, há também que se considerar a condição especial daqueles cabeleireiros que estão há mais tempo na profissão e que, graças a tantas instabilidades do setor, consideram desistir de sua profissão. Eu sinto muito quando vejo um salão de cabeleireiros encerrar suas atividades.
Convivi tantos anos com amigos e parceiros cabeleireiros, vivi a história de centenas deles e sei bem o que representa este momento. Como disse anteriormente, profissionais cabeleireiros assim como quaisquer outros, precisam trabalhar para sustentarem suas famílias, pagar suas contas e construírem seus futuros com dignidade e com o mundo passando pela fase pandêmica que estamos passando, sei que muitos profissionais de beleza acabaram por passar por dificuldades extremas. Quando as dificuldades são maiores do que a esperança, às vezes, não há alternativa. Entendo que sempre vale a pena insistir se o seu projeto de vida for essencialmente este.
O fato é que tudo isso vai passar, o mundo vai sair desta e a Humanidade vai aprender a ter mais compaixão, pode até demorar um pouco mais do que desejamos, mas a Humanidade vai sair desta muito melhor do que entrou.

Para mais informações e detalhes: www.intervista.com.br Celular: 11-9.8290-4640

Sempre que a nossa equipe escolhe um convidado para participar da coluna Minha Historia, sinceramente não temos ideia do tipo de experiências serão expostas. Nosso protagonista sempre teve um curriculum extremamente elogiável durante suas apresentações e eventos do setor, desempenho em seu salão de beleza e também como educador. A humildade e inteligência são adjetivos que somente enobrecem a pessoa de Jose Carlos Francez, como vocês puderam observar: Foco, aplicação e muita disposição para o aprendizado, são virtudes presentes na vida pessoal e profissional dele, ou seja fosse qualquer área ou profissão ele estaria e ainda esta fadado ao sucesso. Poderia ficar enumerando motivos para justificar meus comentários mas ele foi tão preciso e cirúrgico em suas respostas que por si só fazem valer a pena a honra de poder contar aqui em nossa coluna a trajetória de transformações e sucesso deste amigo que certamente preservo por toda a minha existência. Perseverança e determinação, estes são os ingredientes principais da carreira de JC Francez no Minha História.

Por Arnaldo Almeida / Redação Portal Guia de Salões

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